quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"QUO VADIS"

AONDE VAIS!
Segundo a sabedoria chinesa "Uma caminhada de mil milhas começa com um passo", como nos ensina também a velha sabedoria japonesa "Não há vento bom, quando não sabemos aonde chegar!"

Estes dois aforismos de antigos mestres deveriam balizar o pensamento dos formuladores da política nacional, já, que o pensamento da Escola Superior de Guerra foi defenestrado pelos governos da Nova República, muito embora, permaneçam atuais e pertinentes, devendo ser repensados. Os atuais governantes falam muito, em democracia... mas, que democracia?  Seria democrático desviar polpudo imposto que o pobre trabalhador brasileiro paga pelo feijão de cada dia para políticos corruptos bandearem-no para as hostes petistas? No episódio do mensalão, constatamos, ao vivo e a cores, o flagelo do rei. O rei está nu. Atordoados com o apoio popular do julgamento da ação 470 do STF e atônitos com a possibilidade de, rapidamente, sofrerem um revés político e sumirem as mordomias, vemos o cenário político alterar-se, a corja que se instalou no poder percebe que quem está sendo julgado não é apenas aquele que está sentado no banco dos réus, mas toda a gentalha que aparelhou o estado brasileiro, afrouxou as normas de conduta, falseou a verdade e deturpou os bons costumes. De concreto, temos um país sem segurança, uma população à mercê da bandidagem. Qual será a voz das urnas? Tergiversará sobre seu bem mais valioso que é sua vida? Onde pensa que desembocará a matança de jovens, enquanto os ladrões recebem bolsa prisão para assassinar inocentes? Os proclamas já correm, nos comitês de campanha: Rei morto, rei posto!

E que espera alcançar o nosso ministro da fazenda, distribuindo benesses à indústria automobilista? Vai permitir à GM reforçar o caixa de campanha de Obama, enquanto o Ministro Patriota esperneia junto à OMC, na questão dos subsídios de alguns produtos agrícolas americanos? Onde pensa que vai um governo que não sabe bem o que quer, em termos de relações internacionais? Pautamos a doutrina econômica pela Heterodoxia ou Ortodoxia? E a política externa é pela 3ª via de governos anteriores ou a denominação agora é multilateralidade? E a interna, agora não é mais privatização? É concessão? E quem pagará a conta do sucateamento de nossas ferrovias? Como ficará a situação do atual governo que perpassou ao eleitor a ideia de continuísmo econômico, apoiada pelo seu criador que enganava o povo com PIB de 5 ou 6% a.a, enquanto, o restante da América Latina crescia muito mais, surfando nas commodities dos emergentes e agora com PIB de 2% ao ano, resolve incentivar o consumo de uma população 43% endividada? Qual a mágica do consumismo? Combinaram com os banqueiros ou o contribuinte vai bancar a inadimplência decorrente?

Finalizando, perguntamos: se é possível caminhar para o futuro, desconhecendo que a história repete-se, apenas com outros personagens. Não nos esqueçamos do exemplo de Maria Antonieta que, no auge de sua alienação, sugeriu aos seus conselheiros distribuir brioches para a turba faminta e enfurecida. Como conter o Tsunami monetário decorrente da depreciação do real e o incentivo ao consumo? Como exportar, quando não contemos a desindustrialização? E a noss dívida intern e externa próxima a três trilhões?
Ir. Torres de Melo

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MEDO POR QUATRO ANOS

TIVE MEDO DURANTE 4 ANOS. 

Fui designado para comandar a Polícia Militar de São Paulo em abril 1974. Logo tomei conhecimento de dois problemas gigantescos; o de menores e o presídio do Carandiru. Não eram obrigações nossa, mas no final seria a Polícia Militar que iria resolver.

Logo de saída fui ao batalhão de menores. Tomava conta da muralha. Dentro não era de nossa responsabilidade. Tinha lido um livro de uma socióloga paulista onde afirma que as crianças que viviam no tal depósito eram até roídas por ratos. Nunca imaginei que um dia iria confirmar o que foi escrito. Vi com os próprios olhos. Ainda me revolto quando me recordo. Foi no governo Paulo Egídio que a coisa melhorou e muito; os dirigentes tinham amor no coração.

O Carandiru  era um paiol de pólvora. Lembro-me de uma reunião que tive com o secretário de segurança pública e o juiz das execuções penais. O juiz, com toda razão, afirmava que não podia continuar como estava. Ia explodir. Se minha memória não é falha os números eram alarmantes. O Carandiru comportava 2.500 presos estava com uma população acima de 7.000.

Procurou-se uma solução. O juiz sugeriu retirar os presos do Carandiru e colocar nas delegacias e a Polícia Militar ser responsável pela prisão dos presos. Era criar novas prisões sem condições mínimas. As delegacias já estavam cheias. Terminou-se  a reunião sem solução, pois aleguei que a Polícia Militar indo tomar conta das delegacias a sociedade ficaria sem segurança.

Todo dia era um dia de Deus, que é muito bom para mim e esperou para eu deixar o comando e permitir a explosão do Carandiru. O resultado não poderia ser outro. Imagino, pois lá não estava, mas soube que quando foi aberto o portão os presos jogaram fezes, urina e mil coisas... mas a força recebeu ordem de invadir, era matar ou morrer. Terminou o processo com o voto de um desembargador, dando a razão à força. Morreram mais de 100 e Manaus pouco acima de 60.

Logo que deixei o Comando da PMSP fui promovido ao Posto de general e continuei a andar pelo Brasil afora, sentindo que cada dia que passava mais grave os dois problemas ficavam.

Em 1988 fui para a reserva, lendo e acompanhando o caminhar do meu país sentia que uma dia ia explodir as cadeias públicas. Aconteceu e agora estão atrás dos culpados. Um político, em conversa comigo, disse a VERDADE:

“ O PROBLEMA DOS PRESÍDIOS É DE SOLUÇÃO DIFICÍLIMA, pois CONSTRUIR CADEIA NÃO DÁ VOTO”... TRISTE VERDADE!
PRESIDIO É UM PROBLEMA SOCIAL GRAVÍSSIMO!
A SOLUÇÃO É AS AUTORIDADES SEREM RESPONSÁVEIS! TUDO O MAIS É CONVERSA.


Ir.Torres de Melo 
General-Coordenador
GRUPO GUARARAPES

ESTÓRIAS...de um passado mais ou menos distante!

ra uma vez num reino muito, muito distante, um rei que surtava de raiva no seu gabinete real, que ficava agressivo e ameaçava bater com seu cetro proferindo cabeludos palavrões. Passada a fúria, quando se recompunha, apresentava-se afável com seus súditos, contava “causos” e histórias engraçadas, sempre cativando a simpatia dos muitos que não o conheciam na intimidade, e que por isso era tido  como um rei bonzinho e apelidado de reizinho

O soberano reizinho, já desgastado pelo exercício sem realizações de seu governo, evitava encontros políticos onde não tinha muito a dizer, ficava isolado pelos cantos no palácio a sonhar de forma obsessiva com a construção de uma casa para ir quando se retirasse do poder, novo local para governar numa espécie de abrigo de luxo para si e para a elite, seus velhos amigos mais próximos... tinha o sonho de realizar uma obra como as pirâmides do Egito.

Custos da construção e da manutenção? Quem se importa... entendia que uma obra divina assim justificaria o esforço de todos. Obcecado por criar imagem do grande realizador, cria um clube privado para poucos, que de fato o deixou sempre lembrado por todos... especialmente pelo sucessor que agora não sabe o que fazer com esse mico.

Determinado a deixar impressão de comedido com os tributos, juntava comida dos banquetes em marmitas para servir de jantar à família real... pela contumaz grosseria no trato, pela falta de objetividade nos projetos do governo, os apelidos apareciam, os mais variados como reizinho duas caras, zeca marmita, fanático do asilodentre outros... 

Ao deixar o comando o reizinho se isola, vai para o retiro que construiu onde se especializou em plantador de batatas!

-o0o-

"Se você plantar honestidade, colherá confiança. Se plantar humildade, colherá grandeza. Se plantar perseverança, colherá satisfação. Se plantar trabalho duro, colherá sucesso. Se plantar perdão, colherá reconciliação. Portanto, seja cuidadoso com o que planta hoje; isso determinará o que você colherá amanhã". "A pessoa honesta anda em paz e segurança, mas a desonesta será desmascarada" - Provérbios 10.9 

"As pessoas direitas são guiadas pela honestidade. A perversidade dos falsos é a sua própria desgraça" - Provérbios 11.3


Ir. Edson Monteiro